E se o metrô da cidade maravilhosa fosse das mulheres?

No Rio de Janeiro, apenas duas das 36 estações de metrô, levam nomes femininos. E ainda assim, são nomes religiosos, ligados à igreja católica. Uma estação faz ligação com Carlota Joaquina, mas não enquanto mulher e sim sobre o bairro que foi sua propriedade. 10 estações homenageiam homens: engenheiros, escritores, presidentes, militares e etc. Mas e as mulheres? Será que Leila Diniz, Chiquinha Gonzaga, Maria Lenk, Nise da Silveira e outras, não merecem ser reconhecidas? Qual é a dificuldade em homenagear mulheres? em reconhecer as mulheres?

Nesse 8 de março, nossa proposta foi trazer visibilidade às mulheres que atuaram como agentes históricos na cidade do Rio de Janeiro, um centro cultural importante no país. Nomes que podem ser desconhecidos para alguns e que merecem circular e nomear estações, praças, ruas e avenidas.

O mapa foi inspirado no trabalho das companheiras chilenas da Coordinadora Feminista 8M, que renomearam as estações do metrô de Santiago com grandes nomes da história do Chile. “Plano red de Mujeres” foi idealizado pela escritora Javiera Manzi e você pode visualizar clicando aqui.

Relembrar as mulheres na história é também uma forma de nos reconhecer enquanto agentes políticos, uma forma de nos inspirar, crescer, empoderar e seguir na luta por uma sociedade anticolonial, antipatriarcal, anticapitalista e antimachista.

Abaixo o mapa do metrô do Rio na versão mulheres históricas e suas biografias:

mapa-metro-asmina

CLEMENTINA DE JESUS: Clementina de Jesus da Silva nasceu em fevereiro de 1901, em Valença, Rio de Janeiro. Foi uma cantora brasileira de samba. Trabalhou como doméstica por mais de 20 anos, começando sua carreira em 1963, ao participar do show “Rosa de Ouro”. Gravou corimás, jongos, cantos de trabalho etc, recuperando a memória da conexão afro-brasileira. Gravou cinco discos solo, entre eles seu grande sucesso “Marinheiro Só”. Faleceu no dia 19 de julho de 1987.

JOVELINA PÉROLA NEGRA: Jovelina Farias Delford, de nome artístico “A Jovelina Pérola Negra” foi cantora e compositora brasileira de samba. Nasceu no dia 21 de julho de 1944, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Mudou-se cedo para a Baixada Fluminense, em Belford Roxo. Trabalhava como empregada doméstica, até participar do disco “Raça Brasileira”, em 1985. Gravou cinco discos individuais, conquistando um Disco de Platina. Faleceu no dia 2 de novembro de 1998.

DANDARA:

Dandara foi uma mulher negra, escravizada, que lutou pela abolição do povo negro no Brasil Colonial. Junto com Zumbi dos Palmares, seu companheiro, organizou e viveu diversos quilombos. Faleceu em 1694.

NGOLA NZINGA:

Nzinga Mbande nasceu em 1583 e foi rainha dos reinos do Ndongo e de Matamba, no Sudoeste de África, no século XVII, sendo a primeira mulher a governar o país. Ela negociou diversas vezes com Portugal contra a colonização cristã e a economia baseada no tráfico de escravizados. Faleceu em 1663.

IVONE LARA:

Dona Ivone Lara nasceu no Rio de Janeiro no dia 13 de abril de 1922. Foi cantora, compositora e assistente social. Formada em Enfermagem e Serviço Social, com especialização em terapia ocupacional, trabalhou na área até se aposentar, em 1977.Trabalhou em hospitais psiquiátricos, como Hospital Pedro II, onde conheceu a dra. Nise da Silveira. Após se aposentar ela passou a se dedicar ao samba, compondo cada vez mais. Um dos seus maiores sucessos é a canção “Sonho Meu”, interpretada por diversos nomes da música brasileira. Faleceu no dia 16 de abril de 2018.

DOLORES DURAN:

Dolores Duran, nome artístico de Adiléia Silva da Rocha, nasceu no Rio de Janeiro no dia 7 de junho de 1930. Foi cantora e compositora. Começou a trabalhar desde cedo como costureira. Trabalhou também como atriz nas rádios Cruzeiro do Sul e Tupi. Como cantora se apresentou em diversas boates da cidade e fez um sucesso enorme, compondo canções com Tom Jobim. Lançou mais de dois discos. Faleceu em 24 de outubro de 1959.

MARIA MAZZETTI:

Maria Mazzetti nasceu no Rio de Janeiro em 1926. Foi professora primária e técnica em educação. Participou da Rádio-Escola (Rádio Roquette-Pinto) e dirigiu o Teatro Gibi. Nos anos 70, criou o grupo “Olá” com a atriz Denise Mendonça, um dos grandes sucessos é a canção “Quem mora (Casinha Torta)”. Maria escreveu diversas histórias para crianças. Faleceu em 1974.

ENGENHO DA RAINHA:

A estação recebeu o nome do bairro, que tem esse nome porque já foi residência da rainha Carlota Joaquina. Ela nasceu na Espanha, em 1775. Veio para o Brasil junto com a transferência da corte, em 1808. Foi ativa politicamente e faleceu em 1830.

STELA DO PATROCÍNIO:

Stela do Patrocínio nasceu no 9 de janeiro de 1941, no Rio de Janeiro. Foi uma poeta brasileira. Viveu por quase 30 anos internada na Colônia Juliano Moreira, onde faleceu em 1997. Stela usava uma forma de poesia oral para se comunicar. Na década de 80, foi convidada pela artista plástica Nelly Gutmacher para montar um ateliê na Colônia. As falas poéticas de Stela do Patrocínio foram gravadas em fita cassete e, anos depois, transcritas, organizadas e publicadas em 2001, pela escritora Viviane Mosé no livro “Reino dos bichos e dos animais é o meu nome”.

ELKE MARAVILHA:

Elke Maravilha, nome artístico de Elke Georgievna Grunnupp, nasceu na Rússia, no dia 22 de fevereiro de 1945. Aos 20 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como secretária bilíngue, pois sabia falar em oito idiomas. Foi a mais jovem professora de francês da Aliança Francesa, e de inglês na União Cultural Brasil.Entre 1966 e 1969, cursou cadeiras nas faculdades de Filosofia, Medicina e Letras da UFRGS, formando-se tradutora e intérprete de línguas estrangeiras. Começou a atuar como modelo e manequim aos 24 anos, em 1969. Durante a ditadura militar chegou a ser presa e perdeu a cidadania brasileira. Faleceu aos 71 anos, na madrugada de 16 de agosto de 2016, no Rio de Janeiro.

JÚLIA LOPES DE ALMEIDA:

Júlia Lopes de Almeida nasceu no Rio de Janeiro, no dia 24 de setembro de 1862. Foi escritora, cronista e teatróloga. Foi uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras. Escreveu em jornais da época como abolicionista. Faleceu no dia 30 de maio de 1934, no Rio de Janeiro.

ANA NERI:

Ana Neri nasceu no dia 13 de dezembro de 1814, em Cachoeira, na Bahia. É considerada pioneira da enfermagem no Brasil, atuando na Guerra do Paraguai, em 1865. Faleceu no dia 20 de maio de 1880, no Rio de Janeiro.

LÉA DE CAMPOS:

Léa de Campos nasceu em 1945, em Abaeté, em Minas Gerais. É considerada a primeira mulher árbitra de futebol profissional do mundo. Formada em Jornalismo, Léa tornou-se árbitra de futebol em 1967, após oito meses de curso na Escola de Árbitros do Departamento de Futebol Amador da Federação Mineira de Futebol. Ela foi proibida de atuar durante um tempo em alguns estados, como em São Paulo e Rio de Janeiro. Só em 1971 teve sua estreia no campo, convidada pela FIFA para apitar o primeiro amistoso mundial de futebol feminino, no México. Em 1975, ela sofreu um acidente e encerrou sua carreira no futebol. Vive hoje nos Estados Unidos.

ANGELA RO RO:

Angela Maria Diniz Gonçalves, mais conhecida como Angela Ro Ro, nasceu no dia 5 de dezembro de 1949, no Rio de Janeiro. Começou a se apresentar em pubs de Londres, onde morou no período de auge da ditadura militar brasileira. Disse em entrevista que por ser lésbica foi espancada mais de 5 vezes, por militares da ditadura militar e pela polícia civil. Lançou o primeiro disco em 1979, que tornou-se um clássico da música brasileira com as canções “Amor, Meu Grande Amor”, “Balada da Arrasada” e “A Mim e a Mais Ninguém”. Angela lançou mais de 9 álbuns, o último em 2017, intitulado “Selvagem”.

MARIA LENK: Maria Emma Lenk nasceu em São Paulo, no dia 15 de janeiro de 1915. Foi a primeira mulher sul-americana a participar dos jogos olímpicos e também a primeira mulher a adotar o estilo borboleta nas Olimpíadas de Berlim, na Alemanha, em 1936. Foi a primeira diretora mulher da Escola de Educação Física da UFRJ, também exerceu o cargo de Presidente da Confederação Brasileira de Natação. Faleceu no dia 16 de abril de 2007, no Rio de Janeiro.

FERNANDA MONTENEGRO:

Fernanda Montenegro nasceu no dia 16 de outubro de 1929. É atriz, radialista e apresentadora. É considerada a grande dama do teatro, do cinema e da dramaturgia brasileira. Foi a primeira atriz contratada pela TV Tupi, em 1951. Foi a primeira latino-americana e a única brasileira já indicada ao Oscar de Melhor Atriz. É também a única atriz indicada ao Oscar por uma atuação em língua portuguesa, sendo nomeada por seu trabalho em Central do Brasil (1998). Além disso, foi a primeira brasileira a ganhar o Emmy Internacional na categoria de melhor atriz pela atuação em Doce de Mãe (2013).

LEOPOLDINA:

Leopoldina Josefa Carolina Francisca Fernanda Beatriz de Habsburgo-Lorena, ou  Maria Leopoldina, como é conhecida no Brasil, nasceu em Viena, Áustria, em 1797. Foi arquiduquesa da Áustria e Imperatriz Consorte do Brasil. Pintava retratos e paisagens, e tocava piano. Gostava muito da natureza e das ciências naturais. D. Pedro passou o poder à Dona Leopoldina no dia 13 de Agosto de 1822, nomeando-a chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina do Brasil, com todos os poderes legais para governar o país durante a sua ausência. Ela presidiu na manhã de 2 de Setembro de 1822, com o Conselho de Estado, a reunião que decidiu e deliberou o Decreto da Independência do Brasil. Faleceu no dia 1 de dezembro de 1826.

BERTHA LUTZ:

Bertha Lutz nasceu em São Paulo, no dia 2 de agosto de 1894. Licenciou-se em 1918, Ciências Naturais, em Paris, na Sorbonne, com especialização em anfíbios anuros. No ano seguinte, passou em um concurso e se tornou docente e pesquisadora do Museu Nacional, tornando-se a segunda brasileira a fazer parte do serviço público no Brasil. Criou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, registrada em cartório em agosto de 1922. Tornou-se advogada em 1933, pela Faculdade do Rio de Janeiro. Foi eleita primeira suplente de deputado federal, tendo assumido a cadeira na Câmara Federal durante pouco mais de um ano, em 1936, após a morte do deputado Cândido Pereira. Como deputada, defendeu mudanças na legislação referentes ao trabalho da mulher e do menor, a isenção do serviço militar, a licença de três meses para a gestante e a redução da jornada de trabalho, que era então de 13 horas. Sua carreira política se encerrou no ano seguinte, 1937, quando Vargas decretou o Estado Novo. Continuou no serviço público até se aposentar, em 1964, como chefe de botânica do Museu Nacional. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1976.

CECÍLIA MEIRELES:

Cecília Meireles nasceu no dia 7 de novembro de 1901, no Rio de Janeiro. Foi jornalista, pintora, poeta e professora. Em 1919, aos dezoito anos de idade, publicou seu primeiro livro de poesias. Fundou, em 1934, a primeira biblioteca infantil do Brasil. Em 1939, publicou “Viagem”, livro com o qual ganhou o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Em 1940, lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas (USA). Em Délhi, Índia, no ano de 1953, foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Délhi. Faleceu no Rio de Janeiro em 9 de novembro de 1964.

CLAUDIA CELESTE:

Claudia Celeste nasceu no Rio de Janeiro, em 1952.Atriz, foi a primeira travesti a fazer novela no Brasil, em 1977, atuando em Espelho Mágico, na Globo. Sua carreira foi impedida e censurada pela ditadura militar da época, que não permitia que travestis e transexuais aparecessem na tv. Ela só voltou a atuar em telenovela dez anos depois, em Olho por Olho (1988). Faleceu no dia 13 de maio de 2018.

LAÉLIA DE ALCÂNTARA:

Laélia de Alcântara nasceu em Salvador, no dia 7 de julho de 1923. Formou-se em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 1949. Foi transferida no mesmo ano para o Acre, que na época contava com apenas seis médicos. Lá especializou-se em atendimentos nas áreas de obstetrícia e pediatria, além de lecionar puericultura na Escola Normal de Rio Branco.Laélia foi a primeira negra a ocupar uma cadeira de senadora da República no Congresso Nacional, representando o estado do Acre pelo PMDB. Faleceu no Rio de Janeiro em 30 de agosto de 2005.

MARIELLE FRANCO:

Marielle Franco nasceu no dia 27 de julho de 1979, no Rio de Janeiro. Foi socióloga, escritora, política e defensora dos direitos humanos. Nasceu e cresceu na favela da Maré. Foi eleita vereadora do Rio de Janeiro a Legislatura 2017-2020, durante a eleição municipal de 2016, com a quinta maior votação. Foi executada no centro do Rio de Janeiro, no dia 14 de março de 2018. Até hoje não se sabe quem matou Marielle.

TIA CIATA:

Hilária Batista de Almeida, mais conhecida como Tia Ciata, nasceu em Santo Amaro, na Bahia, em 1854. Aos 22 anos mudou-se para o Rio de Janeiro. Foi Mãe de Santo. Era doceira e acolhia em sua casa, africanos e descendentes recém chegados ao Brasil. Nas sessões musicais da casa de Tia Ciata surgiu “Pelo Telefone” de “Donga” e “Mauro Almeida” que é considerado o primeiro samba a ser gravado no Brasil. Tia Ciata foi muito importante para o samba carioca. Faleceu em 1924.

MERCEDES BAPTISTA:

Mercedes Baptista, nasceu em 1921, em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. No ano de 1947, tornou-se a primeira mulher negra a ingressar como bailarina profissional no Teatro Municipal do Rio. Participou ativamente do Teatro Experimental do Negro. No fim de 1951, fundou o Ballet Folclórico Mercedes Baptista. Em 1963, junto aos carnavalescos Arlindo Rodrigues e Fernando Pamplona, introduziu, a dança clássica no desfile da Acadêmicos do Salgueiro. Introduziu na Escola de Dança do Teatro Municipal do Rio de Janeiro a disciplina dança afro-brasileira. Faleceu no dia 19 de agosto de 2014, aos 93 anos.

MARIETTA BADERNA:

Marietta Baderna nasceu na Itália, em 1828, na cidade Piacenza. Integrou a companhia de dança do teatro Scala de Milão. Em 1849, exilou-se no Brasil, com o pai, o músico Antônio Baderna. Marietta fez muito sucesso nos palcos, conquistando o público do Teatro São Pedro de Alcântara. Introduziu elementos do lundum, dança afro-brasileira praticada por negros escravizados, entre os passos da dança clássica. Por fazer parte dos movimentos abolicionistas da época, Marietta foi super mal vista e começou a sofrer boicotes, com tempo de apresentação reduzido, ou cortinas que se fechavam antes do término do espetáculo. Seus fãs, ficaram conhecidos como “baderneiros”, pois regiam aos boicotes gritando e batendo os pés. De seu protagonismo vem a palavra “Baderna”, exclusiva do português brasileiro. Marietta morreu em sua casa, em Botafogo, Rio, no ano de 1892.

CARMEN PORTINHO:

Carmen Portinho nasceu em Corumbá, Mato Grosso do Sul, no dia 26 de janeiro de 1903. Foi a primeira mulher no Brasil a obter o título de urbanista. Em 1919, colaborou na fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, atuando como tesoureira e 1º vice-presidente. Em 1926, formou-se em Engenharia Civil, pela Escola Politécnica da Universidade do Brasil. Fundou em 1937, a Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas (ABEA). Em 1939, obteve o título de urbanista na Universidade Distrito Federal. Em 1952, assumiu a diretoria executiva adjunta do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, na época localizada no prédio do MEC, permanecendo no cargo por mais de 15 anos. Em 1954, chefiou as obras de engenharia civil da construção da sede do MAM, no aterro da Glória. Foi diretora do Departamento de Habitação Popular e construiu, na década de 50, o conjunto residencial Pedregulho, em São Cristóvão. Por 20 anos foi diretora da Escola Superior de Desenho Industrial. Faleceu no dia 25 de junho de 2001, no Rio de Janeiro.

CHIQUINHA GONZAGA:

Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de outubro de 1847. Foi a primeira “chorona”, primeira pianista de choro e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Escreveu em 1899 a primeira marchinha de carnaval da história, a canção “Ó Abre Alas”, feita para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro. Em 1917, fundou a primeira sociedade protetora e arrecadadora de direitos autorais do país, a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat). Faleceu no dia 28 de fevereiro de 1935, aos 87 anos de idade, no Rio de Janeiro.

NAIR DE TEFÉ:

Nair de Tefé nasceu em Petrópolis, no dia 10 de junho de 1886. Foi pintora, cantora, atriz e pianista brasileira. Considerada a primeira caricaturista mulher do mundo. Publicou seus primeiros trabalhos em revistas sob o pseudônimo de “Rian”. Em 1932, ela fundou o Cinema Rian, na Avenida Atlântica, em Copacabana. Faleceu no dia 10 de junho de 1981.

BEATRIZ NASCIMENTO:

Maria Beatriz Nascimento nasceu em Aracaju, em 1942. Foi professora, pesquisadora e poeta. Formou-se em História, em 1971, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Durante sua graduação, fez estágio no Arquivo Nacional. Após a formatura, começou a dar aulas na rede estadual. Como militante do movimento negro, ela questionava a narrativa acadêmica que via a participação dos negros na história apenas como escravos. Em 1981, terminou sua pós graduação lato sensu na Universidade Federal Fluminense. Pesquisou sobre os quilombos, suas formações, seus processos e toda resistência e descendência africana no Brasil. Foi vítima de feminicídio, no dia 28 de janeiro de 1995, no Rio de Janeiro, ao defender uma amiga de violência doméstica.

LOTA DE MACEDO SOARES:

Lota de Macedo Soares nasceu em Paris, no dia 16 de março de 1910. Foi arquiteta-paisagista e urbanista autodidata. Foi responsável pelo projeto do Parque do Flamengo, considerado o maior aterro urbano do mundo. Ela também projetou a primeira casa a usar cobertura metálica no Brasil, em Petrópolis. O filme “Flores Raras” (2013) conta um pouco de sua trajetória e de seu relacionamento com a poeta Elizabeth Bishop. Lota faleceu no dia 16 de março de 1910, nos Estados Unidos.

NISE DA SILVEIRA:

Nise da Silveira nasceu no dia 15 de fevereiro de 1905, em Alagoas. Formada pela Faculdade de Medicina da Bahia, foi a única mulher numa turma de 157 rapazes. Tornou-se Psiquiatra no Rio de Janeiro, atuando na Praia Vermelha. Durante a “Intentona Comunista” chegou a ficar presa por 18 meses. Em 1944, foi reintegrada ao serviço público e iniciou seu trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro. Lutando contra as técnicas psiquiátricas da época, como os choques e a lobotomia, ela criou o departamento de terapia ocupacional. Em 1952, fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, um centro de estudo e pesquisa destinado à preservação dos trabalhos produzidos na instituição. Em 1956, criou a Casa das Palmeiras, em Botafogo. Nise escreveu diversos livros e ganhou diversos prêmios. Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 30 outubro de 1999.

CLARICE LISPECTOR:

Clarice Lispector nasceu na Ucrânia, em 1920. Naturalizada brasileira, foi escritora, jornalista, tradutora e autora de diversos romances, contos e ensaios. Estudou Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Faleceu em 1977, no Rio de Janeiro.

ROSE MARIE MURARO:

Rose Marie Muraro nasceu no dia 11 de novembro de 1930, no Rio de Janeiro. Foi escritora e editora. Formada em Física e Economia, escreveu mais de 40 livros e editou mais de 1600 mil títulos quando trabalhou na Editora Vozes. Editou até o ano 2000, o selo feminista Rosa dos Tempos, da Editora Record. Faleceu no dia 21 de junho de 2014.

LYGIA CLARK:

Lygia Clark nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1920. Foi uma pintora e escultora brasileira, considerada fundadora do neoconcretismo. Foi uma das fundadoras do Grupo Frente, em 1954. A partir de 1976, voltou-se para experiências corporais em que materiais estabeleciam relação com público. Suas obras mais destacadas são “Bichos”, “Baba Antropofágica” e “Pedra e Ar” (que inspirou a canção If You Hold a Stone, uma homenagem de Caetano Veloso para Lygia Clark. Ela faleceu em 1988, no Rio de Janeiro.

LEILA DINIZ:

Leila Diniz nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro, no dia 25 de março de 1945. Foi professora de educação infantil e atriz, atuando em teatro, filmes e televisão. Leila falava o que pensava e por isso foi muito perseguida pela ditadura. Tanto que a censura prévia à imprensa leva seu nome: “Decreto Leila Diniz”. Escandalizou a sociedade da época indo à praia de biquíni quando grávida. Faleceu num acidente aéreo na Índia, no dia 14 de junho de 1972.

ANA CRISTINA CESAR:

Ana Cristina Cesar nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 de junho de 1952. Foi poeta, crítica literária, ensaísta e tradutora. Estudou Letras na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Publicou seus primeiros livros em edições independentes. Suicidou-se em outubro de 1983, no Rio.

RUDDY PINHO:

Ruddy Pinho nasceu em Minas Gerais. É atriz, cabeleireira e escritora. Foi a primeira pessoa trans a publicar um livro no Brasil, intitulado “Eu, Ruddy” (1980). Foi também uma das cabeleireiras mais prestigiadas do país, atendendo diversas celebridades. Ela também foi autora de mais de 9 livros. Vive hoje no Rio de Janeiro.

LÉLIA GONZALEZ:

Lélia Gonzalez de Almeida nasceu em Belo Horizonte, no dia 1 de fevereiro de 1935. Graduou-se em História e Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Trabalhou como professora da rede pública de ensino. Fez mestrado em Comunicação Social e doutorado em Antropologia Política. Foi professora no Instituto de Educação e no Colégio de Aplicação (UERJ). Foi diretora do Departamento de Sociologia e Política da PUC-Rio.  Ajudou a fundar instituições como o Movimento Negro Unificado (MNU), o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), o Coletivo de Mulheres Negras N’Zinga e o Olodum. Sua militância em defesa da mulher negra levou-a ao Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), no qual atuou de 1985 a 1989. Foi candidata a deputada federal pelo PT, elegendo-se primeira suplente. Faleceu no dia 10 de julho de 1994, no Rio de Janeiro.

ZUZU ANGEL:

Zuzu Angel nasceu no dia 5 de junho de 1921, em Minas Gerais. Foi uma importante estilista brasileira. Seu filho, o militante político Stuart Angel Jones, executado pela ditadura militar dos anos 70. Na época, Zuzu usou a moda como uma forma de denunciar as mortes e os desaparecimentos de jovens pela ditadura. Ela também acabou sendo executada, morrendo misteriosamente em um “acidente” no túnel que hoje leva seu nome, na zona sul do Rio de Janeiro, no dia 14 de abril de 1976.

ZAQUIA JORGE: Zaquia Jorge  nasceu no dia 6 de janeiro de 1924 no Rio de Janeiro e foi um ícone cultural de sua época. Atriz, cantora, empresária e escritora, Zaquia foi vedete do Teatro da Revista. No final dos anos 1950 criou o Teatro de Revista Madureira, levando diversos espetáculos ao subúrbio.. F Faleceu no dia 22 de abril de 1957 vítima de afogamento na Barra da Tijuca. . Em sua homenagem foram escritas as canções “Madureira Chorou”, por Joel de Almeida, o samba “Estrela de Madureira” por Roberto Ribeiro e o samba enredo de 1975 da Império Serrano: “Zaquia Jorge, Vedete do Subúrbio, Estrela de Madureira”.

Uma grande referência para esse projeto foi o livro da historiadora pioneira sobre história das mulheres: SCHUMAHER,, Schuma. Um Rio de Mulheres: a participação das fluminenses na história do Estado do Rio de Janeiro / Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil. Ed, 2003.

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