Mãe Menininha do Gantois

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Maria Escolástica da Conceição Nazaré, é conhecida como Mãe Menininha do Gantois. Foi uma das lideranças religiosas mais importantes do Brasil. E provavelmente a mãe de santo mais famosa da Bahia. Nasceu em Salvador em 1894. E entre 1922 e 1986, foi a Iyalorisá do Ilê Iyá Omi Asé Iyamassê — o Terreiro de Gantois — que foi fundado por sua bisavó Maria Júlia da Conceição Nazaré.

Foi consagrada a Oxum que é a orixá da beleza, do amor, da fertilidade e da maternidade. Como versa a musica “Oração de Mãe Menininha” composta por Dorival Caymmi e cantada por Maria Bethania e Gal Costa: “[…] E a Oxum mais bonita hein? / Tá no Gantois […] Ai, Minha mãe / Minha mãe Menininha […] A estrela mais linda, hein / Tá no Gantois […]”.

Nessa cidade todo mundo é d´Oxum” é uma frase da musica “É d´Oxum” composta por Gerônimo e Vevé Calazans e também teve Menininha do Gantois como inspiração. Pois Mãe Menininha tinha tanto pesquisadores, quanto intelectuais, artistas, políticos e religiosos de outras religiões, gente rica e pobre — além evidentemente de suas filhas e filhos de santo — aos seus pés no Terreiro do Gantois —.

Jorge Amado no livro “Bahia de Todos os Santos” escreveu: “Mãe Menininha está acima de toda e qualquer divergência de ordem política, econômica ou religiosa. É a Iyalorixá de todo o povo da Bahia, sua mão se estende protetora sobre a cidade. Não se trata nem de misticismo nem de folclore e sim de uma realidade do mistério baiano”. Foi mãe de santo de Vinicius de Moraes, Gal Costa, Caetano Veloso e Maria Bethânia. E recebeu inúmeras homenagens.

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Maria Bethânia e Mãe Menininha

Entre 1930 e 1940 — período que as religiões de matriz africana padeciam com perseguição e violência policial na Bahia — Mãe Menininha popularizou e sociabilizou o candomblé — isto é — ela permitiu que intelectuais, artistas, políticos e religiosos de outras religiões frequentassem o Terreiro do Gantois.

Faleceu em 1986 e também homenagearemos Mãe Menininha do Gantois —mencionando — a seguinte cantiga consagrada a Oxum: “A Ẹ̀kọ́ Ẹlẹ́yìn Ẹgẹ́ Ẹ Ìyálóde Ìyá Awo Rò Ọ̀run O / Yèyè O, Ìyá Mọnlẹ̀ Odò / Ọ̀ṣun A Ilé Òpó / A Ẹ̀kọ́ A Ẹgẹ́ Ẹ Ìyálóde Ìyá Awo Rò, Ọ̀run O Yèyè O / Ìyá Mọnlẹ̀ Odò / Ọ̀ṣun A Ilé Òpó” que comumente é traduzida como “Nós saudamos a bela mulher dona da sabedoria / Ela é a primeira dama da sociedade, mãe do mistério do culto e mãe do céu / Mãe dos espíritos do rio / Oxum é a pilastra que sustenta a casa / Nós cumprimentamos a bela mulher / Ela pode ser uma armadilha perigosa / Ela é a primeira dama da sociedade, mãe do mistério do culto e mãe do céu / Mãe dos espíritos do rio / Oxum é a pilastra que sustenta a casa”.

Fotografia: autoria desconhecida.
Enviado por Mauricio Santos, filho de Oxóssi, antropologo e mestrando pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos na UNILA.

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