15 mulheres brasileiras que deveríamos ter conhecido na escola

Quantas mulheres brasileiras você se lembra de ter conhecido na escola? Quantas referências de mulheres na História você tem?

Para além das notas de rodapé, elas merecem ser tratadas como protagonistas da História.

1 – Leopoldina

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Leopoldina Josefa Carolina Francisca Fernanda Beatriz de Habsburgo-Lorena, ou simplesmente Maria Leopoldina, como é chamada em terras brasileiras, nasceu em Viena, Áustria, em 1797. Foi arquiduquesa da Áustria, Imperatriz Consorte do Brasil e, durante oito dias, Rainha Consorte de Portugal. Era de excelente formação cultural. Falava francês, italiano, latim e estudava o inglês. Aprendia o português rapidamente. Pintava retratos e paisagens, e tocava piano. Gostava muito da natureza e das ciências naturais.

D. Pedro passou o poder à Dona Leopoldina no dia 13 de Agosto de 1822, nomeando-a chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina do Brasil, com todos os poderes legais para governar o país durante a sua ausência.

A Princesa Regente recebeu notícias que Portugal estava preparando uma ação contra o Brasil e sem tempo para aguardar a chegada de D. Pedro, Leopoldina, aconselhada por José Bonifácio e usando de seus atributos de chefe interina do governo, reuniu-se na manhã de 2 de Setembro de 1822, com o Conselho de Estado, assinando o Decreto da Independência, declarando o Brasil separado de Portugal.

2 – Maria Felipa de Oliveira

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Não é possível encontrar a data de nascimento de Maria Felipa de Oliveira e assim como muitas mulheres negras na história, sua biografia é feita de poucos documentos e muita história oral. Segundo pesquisadores, a mãe de Maria Felipa teria sido escravizada, descendente de africanos sudaneses. Vivendo em Ilha de Itaparica, na Bahia, Maria trabalhava vendendo mariscos e praticando capoeira nas horas livres. Ela se voluntariou para participar em defesa da Independência do Brasil, entre 1822 e 1823. Começou espiando a movimentação das caravelas e depois passando as informações para o Comando do Movimento de Libertação.

Sabendo de uma frota de 42 embarcações portuguesas que se preparavam para atacar os lutadores na capital baiana, ela convidou mais de 40 companheiras para uma ação: Seduziram a maioria dos soldados e comandantes e depois os atacaram com uma surra de cansanção (planta que dá uma terrível sensação de ardor e queimadura na pele), para depois incendiar todas as embarcações. Essa ação foi decisiva para a derrota dos portugueses em Salvador, permitindo que as tropas vindas do Recôncavo entrassem sob os aplausos do povo, no dia 2 de julho de 1823.

Não é possível afirmar o destino de Maria Felipa após este episódio, pesquisadores apontam que provavelmente continuou sua vida de marisqueira e capoeirista. Maria Felipa faleceu em 1873 e seu atestado de óbito foi encontrado na cidade de Maragogipe pela pesquisadora Priscila Caldas Batista Vila Verde.

3 – Georgina de Albuquerque

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Nascida em Taubaté, no dia 4 de feveireiro de 1885, é considerada a introdutora do impressionismo no Brasil.

Estudando Artes desde cedo, aos 17, ela confrontou o diretor o diretor da Escola de Belas Artes para estudar lá. E conseguiu.

Em Paris, cursou a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts e se especializou no impressionismo.

Em 1922, já no Brasil, fez a primeira pintura histórica realizada por uma mulher no país: o quadro “Sessão do Conselho do Estado que decidiu a Independência” que hoje está no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.

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Após se dedicar ao magistério, em 1950, tornou-se a primeira mulher a ser diretora da Escola de Belas Artes.

Ela modernizou o ensino, contratando artistas modernos para dar aula na Escola.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 29 de agosto de 1962.

4 – Clara Camarão

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Nascida no início do século XVII, o seu nome indígena foi esquecido. As poucas informações existentes indicam que ela era da nação Potiguar. Foi catequizada por padres jesuítas, na aldeia de Igapó. Casou-se com o chefe da tribo Poti, catequizado como Felipe, e junto a ele adotou o sobrenome Camarão – tradução do nome Poti. Ao lado dele, Clara combateu contra os holandeses em Pernambuco, liderando um grupo de grandes guerreiras.

Rompeu com as barreiras da divisão de trabalho, ao se afastar dos afazeres domésticos para defender seu povo junto aos homens, durante as invasões holandesas em Olinda e no Recife.

O grupo de mulheres que liderava ficou conhecido como as Heroínas de Tejecupapo, pequena aldeia da zona da mata pernambucana, que foi palco de uma das batalhas ocorridas contra a dominação holandesa.

Participou de outras duas igualmente memoráveis, a ocorrida em Porto Calvo e a Batalha de Guararapes, essa última, decisiva para vitória.

5 – Jovita Feitosa

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Jovita Alves Feitosa nasceu em 1848, em Inhamuns, no Ceará. Ao perder a mãe na adolescência, mudou-se para a casa de um tio, no povoado de Jaicós, no interior do Piauí. Em 1864, com a Guerra da Tríplice Aliança, o exército brasileiro começou a pedir voluntários, os Voluntários da Pátria, para participar do combate. Ao saber do pedido, Jovita cortou os cabelos e usou trajes masculinos para ser aceita no batalhão. Ao chegar em Teresina, sua identidade real foi descoberta. Mesmo assim, foi aceita pelo governador da província como segundo sargento. 

A notícia logo se espalhou e Jovita ficou muito famosa, sendo homenageada por muitas pessoas da época e considerada uma “heroína nacional” nos jornais, mas ao chegar ao Rio de Janeiro, foi impedida de participar pela Secretaria da Guerra. Disseram que poderia servir como enfermeira, que era “a coisa de mulher” da época. Jovita recusou a oferta.

 Retornou para a casa do pai, mas foi rejeitada pela família, que não viu com bons olhos sua aventura. Retornou para o Rio de Janeiro, em 1867, onde alguns pesquisadores afirmam que passou a viver como prostituta. Alguns meses depois, após o abandono de um amante, Jovita suicidou-se com um punhal no coração, aos 19 anos de idade.

 Apesar de não lutar na guerra, foi considerada uma “Joana Darc” brasileira por sua atitude. Em 2017, seu nome inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, em virtude da Lei Nº 13.423/2017

6 – Bárbara de Alencar

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Bárbara Pereira de Alencar nasceu em 11 de agosto de 1760, no município de Exu, Pernambuco. Filha de um grande proprietário de terras e escravos, mudou-se ainda adolescente para a casa de sua madrinha no Crato (CE), com objetivo de estudar. Casou-se aos 22 anos com um português e teve cinco filhos. Dois deles, José Martiniano de Alencar e Carlos José dos Santos, foram estudar no seminário Nossa Senhora da Graça, em Olinda (PE). Aos 49 anos, ficou viúva e passou a administrar os engenhos e as propriedades rurais da família.

Em 1817, seus filhos voltam para Crato com uma missão: espalhar ideais republicanos no Ceará e livrar a região do colonialismo português. Bárbara, até então uma pacata viúva da elite, apoia os filhos e se torna uma das lideranças do movimento. Durante a missa dominical, José Martiniano, filho caçula, proclamou a República do Crato, criando a primeira vila republicana na cidade. Oito dias depois, tropas foram enviadas para prender os revolucionários, considerados traidores do rei. Bárbara foi então descrita como ‘agitadora, revoltosa, liberal, conspiradora e conjurada’ e acabou presa, com seus bens confiscados pela Coroa e as propriedades, leiloadas. Mesmo com 60 anos na época, Bárbara foi algemada e posta junto aos demais prisioneiros para andar a distância de mais de 500km até a prisão em Fortaleza, trajeto que durou mais de um mês. Esteve detida numa das celas da Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção: sozinha – por ser mulher – incomunicável e sob diversos maus tratos, foi impedida de ver os filho e é considerada localmente como a primeira prisioneira política da História do Brasil. Passou por prisões em Recife e Salvador até ser solta em novembro de 1820.

Livre, empobrecida e mal falada, mas sem abandonar seus ideais, se envolveu ao lado dos filhos, nos demais movimentos republicanos dos anos seguintes. Participou da Confederação do Equador, que se espalhou pelo Nordeste com objetivo de acabar com a monarquia. Na revolta, dois de seus filhos morreram. Bárbara faleceu em 1832, aos 72 anos de idade, sem ver seu filho Martiniano, pai do escritor José de Alencar, reerguer o nome da família ao se tornar senador e depois governador do Ceará.

 

7- Margarida Maria Alves

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Margarida Maria Alves nasceu em Alagoa Grande no dia 5 de agosto de 1933. FIlha de camponeses, a mais nova entre nove irmãos, desde criança teve contato com o catolicismo, participando em 1970 da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Não terminou o ensino fundamental, estudando até o quarto ano. Margarida cresceu vendo seus pais sendo expulsos das terras que viviam por proprietários locais. Se envolveu com o movimento sindical dos trabalhadores rurais primeiro como tesoureira, até se tornar presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, sendo uma das primeiras mulheres a exercer o cargo no país. 

Esteve à frente do sindicato por 12 anos, sendo responsável por mais de 600 ações trabalhistas na justiça do trabalho, defendendo direitos básicos como carteira de trabalho assinada, 13º salário, jornada de trabalho de 8 horas e férias. Foi uma das fundadoras do Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural, do qual foi diretora de 1981 a 1983. O Centro tinha como objetivo fortalecer a agricultura familiar e auxiliar na alfabetização dos trabalhadores rurais pela perspectiva da Educação Popular.

Sua atuação no sindicato entrou em choque com os interesses dos fazendeiros locais e do proprietário da maior usina local de açúcar, a Usina Tanques. Margarida foi assassinada por um matador de aluguel no dia 12 de agosto de 1983. Ela estava em frente à sua casa, com seu marido e filho. Mesmo com a exposição nacional do crime, que chegou a ser denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, 33 anos depois nenhum dos mandantes foi condenado.

Margarida Maria Alves foi defensora dos direitos humanos e dos direitos dos trabalhadores rurais em plena ditadura militar. Não teve medo do embate direto com grandes proprietários e fazendeiros locais. Uma de suas frases está gravada em sua antiga casa em Alagoa Grande, que virou museu em sua memória: “É melhor morrer na luta do que morrer de fome“. Recebeu postumamente o prêmio Pax Christi Internacional, em 1988. Em 2000, nasceu a “Marcha das Margaridas”, uma mobilização das mulheres do campo e da floresta que integram o Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR) e de movimentos feministas e de mulheres. Em 2002, recebeu a Medalha Chico Mendes de Resistência, pelo Grupo Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro. O dia de seu assassinato, 12 de agosto, é conhecido como o Dia Nacional de Luta contra a Violência no Campo e pela Reforma Agrária.

 

 

8-  Carolina de Jesus

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Carolina Maria de Jesus, nasceu no dia 14 de março de 1914, em Minas Gerais, Sacramento, uma comunidade rural onde seus pais eram meeiros.

Aos sete anos, a mãe de Carolina forçou-a a frequentar a escola depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar os estudos dela e de outras crianças pobres do bairro. Carolina parou de frequentar a escola no segundo ano, mas aprendeu a ler e a escrever.

Após a morte de sua mãe, Carolina mudou-se para São Paulo. Na favela do Canindé, construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer coisa que pudesse encontrar. Ela saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família.

Quando encontrava revistas e cadernos antigos, guardava-os para escrever em suas folhas. Começou a escrever sobre seu dia-a-dia, sobre como era morar na favela. Isto aborrecia seus vizinhos, que não eram alfabetizados, e por isso se sentiam desconfortáveis por vê-la sempre escrevendo, ainda mais sobre eles.

Em seu diário, ela detalha o cotidiano dos moradores da favela e, sem rodeios, descreve os fatos políticos e sociais que via. Ela escreve sobre como a pobreza e o desespero podem levar pessoas boas a trair seus princípios simplesmente para assim conseguir comida para si e suas famílias.

O diário de Carolina Maria de Jesus foi publicado em agosto de 1960. Ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, em abril de 1958. Dantas cobria a abertura de um pequeno parque municipal. Imediatamente após a cerimônia uma gangue de rua chegou e reivindicou a área, perseguindo as crianças. Dantas viu Carolina de pé na beira do local gritando “Saiam ou eu vou colocar vocês no meu livro!” Os intrusos partiram. Dantas perguntou o que ela queria dizer com aquilo. Ela se mostrou tímida no início, mas levou-o até o seu barraco e mostrou-lhe tudo. Ele pediu uma amostra pequena e correu para o jornal.

A tiragem inicial de dez mil exemplares se esgotou em uma semana (segundo a Wikipédia em inglês, foram trinta mil cópias vendidas nos primeiros três dias).

9 – Dinalva Oliveira

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Dina – Vocês vão me matar agora?
Ivan – Não, um pouco mais à frente
Dina – Vou morrer agora?
Ivan – Vai. Agora você vai ter que ir.
Dina – Quero morrer de frente.
Ivan – Então vira pra cá.

Dinalva Oliveira Teixeira nasceu no sertão baiano, município de Castão Alves, em 16 de maio de 1945, filha de Viriato Augusto de Oliveira e Elza Conceição Bastos.

De origem humilde, com muito esforço conseguiu entrar na Universidade Federal da Bahia, onde se formou em geologia no ano de 1968, sempre participando ativamente do movimento estudantil, quando foi presa pela primeira vez.

Nesta época conheceu Antônio Carlos Monteiro Teixeira (também desaparecido), colega de turma com quem se casou em 1969. No mesmo ano mudaram-se para o Rio de Janeiro, onde faziam trabalhos sociais nas favelas.

‘Dina’ foi a mais famosa e temida de todas as guerrilheiras do Araguaia. Militante do movimento estudantil baiano em 1967 e 1968, tendo sido presa, casou com seu colega de turma Antônio Carlos Monteiro Teixeira – que na guerrilha teria o codinome ‘Antônio da Dina’ – e mudaram-se para o Rio de Janeiro, onde trabalharam no Ministério das Minas e Energia, e como militantes comunistas faziam trabalho social nas favelas cariocas.

Sobrevivente do ataque à comissão militar da guerrilha no dia de
Natal de 1973, que matou cinco guerrilheiros, incluindo o comandante geral Maurício Grabois, Dina embrenhou-se na selva com outros companheiros e desapareceu até junho de 1974, quando foi presa, fraca, doente e desnutrida, sem comer açúcar ou sal há meses, vagando na mata perto da localidade de “Pau Preto”, com a companheira de guerrilha “Tuca”, a enfermeira parasitóloga paulista Luiza Augusta Garlippe.

Levada à base em Xambioá, permaneceu presa e foi torturada por duas semanas, sem prestar qualquer informação aos militares do serviço de inteligência do exército, CIEx, que sempre quiseram pegá-la viva.

Em julho, Dina foi levada de helicóptero para um ponto da mata, próximo de Xambioá. Assim que pisou no solo, pressentindo que seria executada, Dina perguntou ao sargento do exército Joaquim Artur Lopes de Souza, codinome Ivan, chefe da equipe, “Vocês vão me matar agora?” , ao que Ivan respondeu: “Não, um pouco mais à frente”.

Os dois caminharam lado a lado por uns quinze minutos, mantendo uma conversa cordial, testemunhada por mais dois militares que vinham logo atrás.

Quando pararam em uma clareira, Dina perguntou: “Vou morrer agora?”, ao que Ivan respondeu afirmativamente: “Vai, agora você vai ter que ir”. Sem demonstrar medo, Dina declarou: “Então, quero morrer de frente”, ao que Ivan retrucou: “Então vira pra cá”. Dina encarou o executor nos olhos, que lhe desferiu um tiro no peito, usando uma pistola calibre 45.

A guerrilheira não morreu de imediato, sendo-lhe desferido um segundo tiro na cabeça. Enterraram-na ali mesmo, o corpo jamais foi encontrado.

10 – Antonieta de Barros

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Antonieta de Barros nasceu em 11 de julho de 1901, em Florianópolis, Santa Catarina. Desde os seus primeiros estudos já lecionava para o Magistério e em 1921 concluiu o Curso Normal na Escola Normal Catarinense. Ainda neste ano, fundou o Curso Antonieta de Barros, voltado para alfabetização da população carente que funcionou até 1952. No ano de 1922, fundou o Jornal A Semana, que circulou até 1927. Seus artigos, crônicas e poesias eram assinados com o pseudônimo de “Maria da Ilha”. De 1944 a 1951, foi diretora do atual Instituto de Educação. 

Sua mãe, Catarina de Barros, que algumas fontes dizem ter sido ex-escravizada liberta, enquanto outras dizem que foi lavadeira, trabalhou na casa do político Vidal Ramos, pai de Nereu Ramos, que viria a ser vice-presidente do Senado e chegou a assumir por dois meses a Presidência da República. Por intermédio dos Ramos, Antonieta entrou na política e foi eleita para a Assembleia Catarinense em 1934,  tornando-se a primeira deputada estadual negra do país e primeira deputada mulher do estado de Santa Catarina. Antonieta foi responsável por redigir os capítulos sobre educação, cultura e funcionalismo da nova Constituição do Estado. Eleita pelo Partido Liberal Catarinense, foi constituinte em 1935. Atuou na assembléia legislativa catarinense até 1937, quando teve início a ditadura do Estado Novo.

Com o fim do regime ditatorial, candidatou-se pelo Partido Social Democrático e foi eleita novamente em 1947, desta vez como suplente. Antonieta continuou lutando no campo da educação, exigindo concurso para o provimento dos cargos do magistério, sugerindo formas de escolhas de diretores e defendendo a concessão de bolsas para cursos superiores a alunos de baixa renda. Ao longo de sua vida, atuou como professora, jornalista e escritora. Publicou em 1937, “Farrapos de Idéias”, livro que assinou com seu pseudônimo. Faleceu no dia 18 de março de 1952.

11 – Aracy de Carvalho Guimarães Rosa

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Ela nasceu no Paraná, em 1908. Na década de 30, separada do primeiro marido e com um filho pequeno, ela se mudou para a Alemanha, já com Hitler no poder, indo morar com uma tia. Fluente em alemão, francês e inglês, conseguiu emprego no consulado brasileiro em Hamburgo, onde logo se tornou responsável pelo setor de vistos. Correndo diversos riscos e por iniciativa própria, salvou a vida de dezenas de judeus, que graças a ela emigraram para o Brasil, escapando da perseguição nazista.

Aracy chegou a usar clandestinamente o carro do serviço consular para transportar judeus, que escondia em casa; na fuga, ela acompanhava os refugiados até o navio e, fazendo uso de sua imunidade diplomática, levava suas joias e dinheiro na própria bolsa, para evitar que fossem confiscados pela polícia nazista.

Chamada de “Anjo de Hamburgo”, Aracy é a única mulher citada no Museu do Holocausto, em Israel, entre os 18 diplomatas que salvaram judeus da morte. Em 1982, ela foi reconhecida como “Justa entre as Nações”, um título dado pelo governo israelense a pessoas que correram riscos para ajudar judeus perseguidos.

Aracy morreu esquecida, em 2011, aos 102 anos, vítima de Alzheimer.

12 – Leolinda

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A baiana Leolinda Daltro é precursora do feminismo no Brasil no século 19. Engajada na causa indigenista, separou-se do marido e viajou pelo interior do Brasil pregando a integração das populações indígenas por meio da educação laica. Foi escorraçada de Uberada, em MG, aos gritos de “mulher do diabo”.

Quando teve seu alistamento eleitoral negado, fundou o Partido Republicano Feminino. O objetivo era mobilizar as mulheres pelo direito ao voto. Morreu em um acidente automobilístico em 1935.

Seu obituário publicado na revista ‘Mulher’, editada pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, assinala que Leolinda “teve que lutar contra a pior das armas de que se serviam os adversários da mulher: o ridículo”.

(Via Buzzfeed)

13 – Maria Quitéria

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Maria Quitéria de Jesus nasceu em São José das Itapororocas (hoje distrito de Maria Quitéria, em Feira de Santana), na Bahia, em 1792. Na infância, mudou-se para o município de Tanquinho após o falecimento de sua mãe, passando então a viver sob a tutela de seu pai, um fazendeiro escravista. Cresceu aprendendo a montar, a caçar e a usar armas de fogo.

Em 1822, as revoltas para independência do Brasil estavam a todo vapor. A Junta Conciliadora de Defesa, sediada em Cachoeira-BA, convocou os habitantes da região a se alistarem para combater os portugueses. Maria Quitéria pede permissão ao seu pai para se alistar, tendo seu pedido negado. Ela então foge para a casa da irmã, Tereza Maria, onde corta os cabelos e usa o uniforme masculino do cunhado, apresentando-se como “Soldado Medeiros”. Integrou-se ao Batalhão de Caçadores Voluntários do Príncipe D. Pedro I. Semanas depois, após denúncia de seu pai, sua identidade real foi descoberta.

Mesmo assim, o comandante do Batalhão, major José Antônio da Silva Castro, a defende e faz questão de que ela fique na tropa. Maria Quitéria participou da defesa da Ilha de Maré, Conceição, Pituba e Itapuã e de diversas batalhas até o triunfo, em 2 de julho de 1823. Em 20 de agosto do mesmo ano, foi recebida no Rio de Janeiro pelo imperador Dom Pedro I, que a condecorou com a Imperial Ordem do Cruzeiro, no grau de Cavaleiro. O pai de Maria Quitéria falece em 1834, na época um dos maiores criadores de gado e produtores de algodão da Bahia.

Em 1835, ela tenta na justiça herdar seus direitos, mas acaba por desistir das terras e passa a morar na capital, em Salvador, até sua morte, no dia 21 de agosto de 1853, aos 61 anos de idade.

Maria Quitéria foi a primeira mulher a integrar uma unidade militar das Forças Armadas do Brasil. Aos 30 anos de idade, enfrentou normas sociais e morais ditadas pela igreja e pela sociedade da época do Brasil Imperial. Precisou fugir de casa e se passar por um homem para alistar-se no Exército, até então um espaço totalmente masculino. Sua imagem encontra-se em todos os quartéis, estabelecimentos militares da Força Armada, por determinação ministerial. Em 26 de julho de 2018, foi declarada Heroína da Pátria Brasileira pela Lei Federal nº 13.697, tendo seu nome inscrito no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”.

14 – Joana Angélica

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Aos vinte anos de idade, no dia 21 de abril de 1782, entrou para o noviciado no Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, na capital baiana. Ali, foi escrivã, mestra de noviças, conselheira, vigária e, finalmente, abadessa. Ocupava a direção do convento, em fevereiro de 1822, quando a cidade ardia de agitação contra as tropas portuguesas do brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo – que tinham vindo para Salvador desde o Dia do Fico.

Soldados e marinheiros portugueses se embriagavam e saiam atacando casas particulares.
Após tomar uma rua proxíma, decidiram invadir o Convento da Lapa. Joana, com 60 anos de idade, ficou na frente da porta e tentou impedir a entrada dos soldados no convento. Recebeu golpes de baioneta como resposta e faleceu no dia seguinte, em 20 de fevereiro de 1822.

Na época, seu assassinato serviu como um dos estopins para o início da revolta dos brasileiros. Joana tornou-se a primeira mártir da grande luta que continuou até 2 de julho.

Atualmente, Joana Angélica dá nome à avenida principal do bairro de Nazaré, onde fica o Convento da Lapa.

15 –Tereza de Benguela

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“Rainha Tereza”, como ficou conhecida em seu tempo, viveu na década de XVIII no Vale do Guaporé, no Mato Grosso. Ela liderou o Quilombo de Quariterê após a morte de seu companheiro, José Piolho, morto por soldados. Segundo documentos da época, o lugar abrigava mais de 100 pessoas, com aproximadamente 79 negros e 30 índios. O quilombo resistiu da década de 1730 ao final do século. Tereza foi morta após ser capturada por soldados em 1770 – alguns dizem que a causa foi suicídio; outros, execução ou doença.

Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e de um sistema de defesa. Ali, era cultivado o algodão, que servia posteriormente para a produção de tecidos. Havia também plantações de milho, feijão, mandioca, banana, entre outros.

Após ser capturada em 1770, o documento afirma: “em poucos dias expirou de pasmo. Morta ela, se lhe cortou a cabeça e se pôs no meio da praça daquele quilombo, em um alto poste, onde ficou para memória e exemplo dos que a vissem”. Alguns quilombolas conseguiram fugir ao ataque e o reconstruíram – mesmo assim, em 1777, foi novamente atacado pelo exército, sendo finalmente extinto em 1795.

Leia a matéria completa em: Tereza de Benguela, uma heroína negra – Geledés

15 comentários

  1. Incrivelmente como as heroínas brasileira perderam o credito, ainda bem que existem pessoas estudiosas que nos faz conhecer estas personalidades ao longo do tempo, compartilho com muito gosto e ajudando assim imortalizar estas mulheres sé valor incomensurável.

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  2. Mulheres que lutaram pela justiça e causas libertadoras , inteligentes e corajosas, mas como todos os mártires que viveram para ajudar o progresso e o crescimento do país encontraram sim, homens de bens que vieram em auxílio de suas bandeiras, mas encontraram também idiotas, imbecis, covardes, representados pelo governo imperial, mas não as fizeram parar. Temos que seguir seus exemplos.

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  3. É a minha mae… alfabetizar do dos 16 anos até os 73 na roça e agora na periferia . Fez facultades e terminou com 65 e tirou carta de motorista depois. Lutou… e tem uma HISTORIA maravihlosa.

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