3 mulheres excluídas da sua aula de História do Brasil

Após a proclamação da Independência em setembro de 1822, nem todo mundo aceitou o fato. Muitos portugueses radicados se indignavam, especialmente no Maranhão e na Bahia. Do literal ao interior baiano, houve muita revolta.

Essas três mulheres baianas são símbolos da resistência, mas quase nunca estão nos livros didáticos das escolas.

Maria Felipa de Oliveira

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Não é possível encontrar a data de nascimento de Maria Felipa de Oliveira e assim como muitas mulheres negras na história, sua biografia é feita de poucos documentos e muita história oral. Segundo pesquisadores, a mãe de Maria Felipa teria sido escravizada, descendente de africanos sudaneses. Vivendo em Ilha de Itaparica, na Bahia, Maria trabalhava vendendo mariscos e praticando capoeira nas horas livres. Ela se voluntariou para participar em defesa da Independência do Brasil, entre 1822 e 1823. Começou espiando a movimentação das caravelas e depois passando as informações para o Comando do Movimento de Libertação.

Sabendo de uma frota de 42 embarcações portuguesas que se preparavam para atacar os lutadores na capital baiana, ela convidou mais de 40 companheiras para uma ação: Seduziram a maioria dos soldados e comandantes e depois os atacaram com uma surra de cansanção (planta que dá uma terrível sensação de ardor e queimadura na pele), para depois incendiar todas as embarcações. Essa ação foi decisiva para a derrota dos portugueses em Salvador, permitindo que as tropas vindas do Recôncavo entrassem sob os aplausos do povo, no dia 2 de julho de 1823.

Não é possível afirmar o destino de Maria Felipa após este episódio, pesquisadores apontam que provavelmente continuou sua vida de marisqueira e capoeirista. Maria Felipa faleceu em 1873 e seu atestado de óbito foi encontrado na cidade de Maragogipe pela pesquisadora Priscila Caldas Batista Vila Verde.


Maria Felipa foi reconhecida há poucos anos como uma mulher negra que lutou pela independência do Brasil. Sua história ficou desconhecida por muito tempo, enquanto outras mulheres brancas eram vistas como ícones do mesmo período. Além de ter uma atuação super importante para o triunfo do Brasil na Guerra da Independência, atuou com sua sabedoria sobre as forças da natureza, sem precisar entrar diretamente nas forças armadas. Em 26 de julho de 2018 foi declarada Heroína da Pátria Brasileira pela Lei Federal nº 13.697, tendo seu nome inscrito no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Em 2005, foi fundada a “Casa de Maria Felipa” com objetivo de empoderar mulheres negras e manter viva a memória de Maria Felipa.

Joana Angélica

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Aos vinte anos de idade, no dia 21 de abril de 1782, entrou para o noviciado no Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, na capital baiana. Ali, foi escrivã, mestra de noviças, conselheira, vigária e, finalmente, abadessa. Ocupava a direção do convento, em fevereiro de 1822, quando a cidade ardia de agitação contra as tropas portuguesas do brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo – que tinham vindo para Salvador desde o Dia do Fico.

Soldados e marinheiros portugueses se embriagavam e saiam atacando casas particulares.
Após tomar uma rua proxíma, decidiram invadir o Convento da Lapa. Joana, com 60 anos de idade, ficou na frente da porta e tentou impedir a entrada dos soldados no convento. Recebeu golpes de baioneta como resposta e faleceu no dia seguinte, em 20 de fevereiro de 1822.

Na época, seu assassinato serviu como um dos estopins para o início da revolta dos brasileiros. Joana tornou-se a primeira mártir da grande luta que continuou até 2 de julho.

Atualmente, Joana Angélica dá nome à avenida principal do bairro de Nazaré, onde fica o Convento da Lapa.

Maria Quitéria

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Uma das principais personagens da independência, Maria Quitéria fugiu de casa para lutar pela Bahia.

Entrou para o Batalhão dos Voluntários do Príncipe, vestindo o uniforme de seu cunhado. Se passou por um homem, apresentando-se como soldado Medeiros. Lutou na Bahia de Todos os Santos, em Ilha de Maré, Barra do Paraguaçu, na cidade de Salvador, na estrada da Pituba, Itapuã, e Conceição.

Após ser descoberta pelo pai, foi defendida pelo Major José Antônio da Silva Castro, comandante do batalhão. Ele permitiu que ela seguisse no combate, pois mostrava muita habilidade com armas.

Em 2 de julho de 1823, quando o “Exército Libertador” entrou em triunfo na cidade do Salvador, Maria Quitéria foi saudada e homenageada pela população em festa.

Maria foi a primeira mulher a assentar praça numa unidade militar das Forças Armadas Brasileiras e a primeira mulher a entrar em combate pelo Brasil.

Em 28 de julho de 1996, foi reconhecida como Patronesse do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Por determinação ministerial, sua imagem deve estar em todos os quartéis do país.

Em Salvador, uma estátua foi erguida em 1953, ano do centenário de sua morte, no Bairro da Liberdade.

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